quinta-feira, 22 de março de 2012

A INTENSIDADE VELADA DO TRATAMENTO DO MEU FILHO AUTISTA


silvania mendonça almeida margarida

Aqui em casa o amor que temos pelo autismo, nossa prova de cada dia, ultrapassa os limites do nosso próprio entendimento. Procuramos sempre com a mais intensidade o mundo desconhecido do criança autista, não nos limitarmos em médicos, remédios e terapias. O tempo foi nosso aliado. Fomos além. Além dos espaços geográficos terrenos. Procuramos transcender a aceitação e o processo de cura, buscamos em todos os lugares que nos foi permitido ir.
Igualmente, temos também nossas filhas para coroar. Meus elos de entendimento e amor transcenderam até ao que me é permitido entender e do meu pensamento espiritual, consignado por Deus e seus mentores, mensagens vieram as mais variadas. Conversamos com pessoas abalizadas como o Dr. Walter Camargos (o psiquiatra do André), o amigo e escritor Nilton Salvador, que sempre nos apoiou na caminhada de amor (uma preciosa amizade), a psicopedagoga Elizabeth Andés, entre outros profissionais e amigos que o escoltaram a evolução excepcional do André Luís. Atualmente, André freqüenta duas escolas e nomes como, Delma, Maria José, Cacá, Eliane, Andréia, e outras pessoas queridas devem ser sempre lembradas.
Há um acerto em todo o pessoal que conviveu e convive com o meu filho, todos estes anos, com variada intensidade e compreensão que aqui fica limitado escrever. Mas é preciso que o mundo saiba. Novas mães e pais podem ler nossa experiência e deve ser relatada aqui neste espaço virtual.
Por fim, sempre me preocupo com a efemeridade e acho que a nossa passagem no planeta deve ser bem vista, mais evoluída das "deficiências humanas” num acerto todo pessoal (Silvânia e André Luís). Não seria possível um acordo se não existissem agentes e amigos e com eles os resultados pessoais. Pude observar que muitas pessoas, inclusive eu, ocasionalmente, queremos saber mais do que os médicos. Isto é difícil de controlar. Aprendi no cerne do problema, que o problema é uma intensa aprendizagem. Paguei o aprendizado a preço caro. Penitencio-me até hoje. Mas minha abordagem hoje é voltada totalmente para a compreensão e para o amor. O amor que sinto pelo meu filho, pelo autismo e sua convivência diária.
Compreendo hoje que não fosse a intensidade do zelo da minha família e dos profissionais da educação que convivem com o André e a nossa aceitação não teríamos vencido o autismo, ou melhor, ACEITADO O AUTISMO. Ele se tornou nosso feijão com arroz.

Mas os relatos de aprendizagem são os mais variados. Ao falarmos de emoções temos que nos dinamizar. Uma emoção resulta de um sentimento ou de uma forma de sentir uma experiência. A experiência de afetos positivos do autismo gera sentimentos de segurança e de prazer e, conseqüentemente, os neurotransmissores adequados para manter um estado psicológico isento de tensões e reforço das comunicações .Insta saber tudo isto acontece, quando há aceitação e não existe revolta. Fatores importantes para o qualquer filho autista. A experiência de afetos negativos, sentimentos de desprazer que o autismo proporciona em um estado de tensão, pode levar ao estresse, com aumento de desamparo do autista. As crianças autistas que apresentam níveis mais elevados têm maior incidência de atrasos de desenvolvimento cognitivos, motores e sociais.

Assim o zelo velado se fez presente. O autismo do André é severo e exige muita resignação e dedicação. André, apesar de suas limitações, constitui-se em uma doce presença, com reais atitudes de uma criança feliz.
A sua presença é doce e desejada, nunca como um peso para a família que o aceitou como dádiva de extrema significação, mais do que justo, um privilégio. Por ele somos felizes.

Até então, contribuiu com o aprendizado de todos nós, pois com a intenção de aproximá-lo ao nosso coração, ao nosso convívio, cada vez mais intenso, partimos para um trabalho de pesquisa que busca explicação a respeito de seus sintomas autísticos. Trata-se de um estudo consciente que traz esperanças e, ao mesmo tempo, aumenta o nosso amor pela causa. Apesar da plena aceitação do problema do meu filho, ninguém se acomoda, não foge à luta de uma proposta de recuperação do nosso querido filho. Será sempre a página do registro da vida e do amor por ele.
Afinal, os autistas têm dificuldades de comunicação, mas não UM MUNDO próprio. Para eles comunicar é algo difícil, e, como poucas pessoas compreendem esta situação, conflitos são gerados. Ensiná-los a se comunicar pode ser difícil, mas pode ajudar o autista a acabar com seus conflitos. Assim como pessoas normais, os autistas têm variações de inteligência se comparados um ao outro. É muito comum apresentarem níveis de atraso, que podem ser superados com o passar dos anos.

O autismo não dá trégua, mas traz a esperança de acendermos, sermos melhores neste mundo de desigualdades. Por mais que se lute, não se pode esperar que ele mude. Ele continua lá da mesma forma, implacável e temos que aprender. Mas o retorno em termos de aprendizagem não é muito pequeno. Pelo contrário, ensina-nos nas experiências de professor.

É preciso muita persistência para tentar mudar a situação e, na maioria das vezes, as evoluções são quase imperceptíveis. É uma batalha desigual, mas que eleva o espírito de uma família. É como dizer sempre, o que não tem remédio, remediado está. E o resultado, qual será

Para entrar no mundo dos autistas é preciso saber amar sem esperar troca. O amor verdadeiro é a maior lição que eles podem nos dar ao longo da vida e do zelo. Só o amor se frutifica na intensidade exigida pelo silêncio que o autista impõe.

O seu discurso sem fala vale por todos os códigos de uma linguagem universal... não é fragmentado como as palavras que profiro, nem se perde na carga semântica dos termos incompletos da minha acanhada emoção. O meu filho é o professor que me ensina a essência de todas as coisas, na magistral enciclopédia da vida. A sua canção me faz vibrar... são acordes de ternura que leio no palpitar de seu sussurro, no ressonar de seu sono irregular e na vigília dos seus dias. As suas poesias de silêncio possuem asas e cores... são páginas do meu álbum, originais como são, valem pelo prazer do mistério e da beleza... Agradeço o privilégio de chamá-lo de filho. Imagino... Quantos gostariam de possuir a riqueza que me foi doada, por acréscimo...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ANJO DO ESPELHO

autoria: silvania mendonça almeida margarida



Eu me tornei anjo do espelho
Um espelho que em primeira
Instância não gostaria
de ver minha cara
o anjo do espelho onde descobri
o contrario é o correto.

Descobri a claridade do silêncio
A presteza dos olhos de criança
Em rapaz grande e meigo
Descobri que ” ir boboya” (ir embora)
Era a idade escolar

Consequência de atos e pensamentos
de muitas aprendizagens anteriores,
nos mistérios dos séculos
Com uma visão angular
a condição é contingencial,
pois o ser a que me refiro
é imortal e ali está
em sua plena consciência
e é autista

E eu, sou seu anjo no espelho
Porque espreito
seus pensamentos amorosos
Represento a sua pessoa
capaz de registrar a nossa presença,
nossos sentimentos e nossas palavras
Murado em si mesmo
Capaz de me tornar um ser tenaz

Por ele, andei léguas e fiz poemas
Crônicas e resenhas
Ao tempo em que era criança
Quando todos articulavam
Que eu era a síntese da perspectiva
embora quando chorava
Por algum motivo qualquer
Não tinha sentido a vida
era litúrgica minha ilusão humana
Mas a natureza transcendente
Sustentava a minha natureza filosófica
De todo aquele que tem fé
E o autista vem do Alto

E não sou seu anjo caído
Sou anjo do espelho
e revelo toda arte verdadeira
e o real sentindo do saber
não preciso da mentira da ficção
para sempre mostrar algo da revelação...
Na matriz da minha alma
Se sou anjo do espelho
Há um outro ser muito
Mais angelical atrás de mim
Esta é a grande verdade
O meu autista é o ser mais
Angelical que me impulsiona viver..

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Hermínio Miranda

Nossos Filhos são Espíritos é um dos livros mais vendidos da literatura espírita, chegando a mais de 250 mil exemplares. Ao quê o sr. credita esse sucesso?
Faço todos os meus livros com muita emoção. Envolvo-me demais naquela atmosfera. Uma vez conheci o Érico Veríssimo lá nos Estados Unidos e disse-lhe que o meu preferido dele era o Olhai os Lírios do Campo, uma obra lírica, muito bonita, eu lhe disse que esse livro tinha carga emocional muito grande e ele confirmou minha afirmação. Então, acho que isso se aplica no meu caso, ao Nosso Filhos São Espíritos. Coloquei nele todo o meu coração e não procurei me dirigir aos espíritas especificamente; sempre achei, desde que comecei a escrever, que nós, do meio espírita, tínhamos que escrever também visando o público não espírita. Porque o não espírita não pega para ler O Livro dos Médiuns, dos Espíritos, de Emmanuel; raramente lê os de André Luiz, e quando o faz é como romance e não como obra didática que é. Então, chegou a um ponto em que eu tinha de dizer as coisas, a minha experiência pessoal, como se eu tivesse conversando, contando as emoções do nascimento de minha primeira filha, se aparecerem fenômenos mediúnicos na criança como ela deve ser tratada, etc. Então, uma pessoa que não pega um livro espírita para ler, pega Nosso Filhos São Espíritos; Autismo também. Um livro com este tema interessa a muita gente que não é espírita. Claro que há uma visão espírita e não faço segredo disso. “Você não acredita? Tudo bem”. Não é nem problema de fé. Reencarnação não é uma questão de você acreditar ou não, é a Lei. Tanto faz. Você já reencarnou e ainda vai reencarnar.

As quais conclusões chegou após pesquisar sobre o autismo?
O autismo é um problema muito interessante. Muito curioso. Às vezes, uma pequena frase que você lê num livro lhe desperta um mundo interior de coisas. Eu estava lendo um livro que a médica, uma psicóloga de vanguarda que começou a fazer experiência de regressão com muita competência, disse que o autismo era uma rejeição à reencarnação. Essa frase acendeu uma luzinha na minha cabeça. Se é uma rejeição da reencarnação, isso faz sentido, por que a pessoa se reencarna e não quer participar, interagir com ninguém. O autismo é uma síndrome extramente complexa e muito difícil de entender se não se levar em conta o mundo espiritual. Por que crianças sadias, perfeitas, lindas, não interagem? Geralmente ocorre tudo bem até os dois, três, primeiros anos e, de repente, ela para de falar e começa a se isolar; é um drama terrível. Aí comecei a comprar livros; queria saber. Só depois de muita leitura, muita meditação, decidi escrever. Autismo é um livro muito lido fora do meio espírita. Acho que o autista não é uma pessoa perturbada, nem um doente mental, é apenas uma pessoa que tem um conflito qualquer, precisa ser entendida como ela é. Você não pode arrastá-la para o seu mundo. Afinal, o que é ser normal? Para o autista o normal é aquilo. No livro procurei dar essa visão de que a criança está diferente porque ela tem uma outra visão da vida e precisa ser respeitada. A nossa “normalidade” é a única possível? De jeito nenhum.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Meditação: uma arma contra o estresse

Detalhes Publicado em Domingo, 22 Janeiro 2012 19:00


O estresse já foi apontado como um dos principais problemas da modernidade e está, na maioria das vezes, na raiz de sintomas como a depressão, dificuldade de concentração, alteração do sono, irritabilidade, entre outros males, decorrentes da agitação permanente da vida diária.


Quando o corpo permanece muito tempo neste ritmo o desequilíbrio leva a danos físicos em diversos sistemas. Cada pessoa desenvolve reações particulares, desde dores de cabeça até distúrbios cardiovasculares, aumentando o risco de ataque cardíaco, derrame e trombose.

O poder terapêutico da meditação já é reconhecido até mesmo pela medicina, sendo capaz de desacelerar a mente, além de melhorar a disposição do organismo como um todo. É utilizada ainda, por muitos, como um recurso para o crescimento pessoal.

Meditação é uma arte ancestral, praticada por civilizações antigas do Egito, Índia e entre os Maias. Meditação, do latim meditare, tem o sentido de voltar-ser para o centro, ou seja, voltar-se para o interior do ser, que detém enorme poder de cura e transformação.

Estudos recentes realizados por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, comprovaram, com a ajuda de imagens, que a meditação frequente ajuda a proteger o cérebro de doenças psiquiátricas como o autismo, esquizofrenia, ansiedade, hiperatividade, ao possibilitar que a pessoa desligue áreas do cérebro associadas a devaneios (onde a mente se foca em sentimentos, sensações e estados mentais negativos). A equipe realizou exames de ressonância magnética funcional para examinar a atividade cerebral de pessoas experientes e novatas na meditação, enquanto elas praticavam três diferentes técnicas de esvaziar a mente dos pensamentos.

No Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, há um núcleo de Cuidados Integrativos, que oferece Meditação, Acupuntura, técnicas corporais, relaxamento, respiração, Musicoterapia, Arteterapia e Reiki favorecendo a melhora das condições gerais do paciente, alívio dos sintomas da doença e incentivo para lutar por sua recuperação. Instituições renomadas como o Memorial Sloan Kettering Cancer Center de Nova York, o MDAnderson Cancer Center de Houston, o Dana-Farber Cancer Institute de Boston e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também incluem a humanização do atendimento médico, tratando o paciente de forma integral.

Muitas pessoas nem se arriscam a começar a prática por acharem que está vinculada a religião ou tradição, mas na área de saúde vem ganhando cada vez mais espaço.

Não é preciso experiência para vivenciar de forma plena esta prática. Relaxe e descubra por que a meditação tem mudado a vida de tantas pessoas.

Técnica de Meditação

Em um lugar tranquilo procure se acomodar em uma posição confortável. Use roupas leves, que sejam cômodas. A música é opcional, mas sons de natureza ajudam a acalmar. Pode-se se deitar de barriga para cima ou sentar-se de pernas cruzadas, mantendo a coluna vertebral ereta. Feche os olhos e volte sua atenção para o interior, silenciando sua mente. Ao inspirar, de forma lenta e profunda, direcione o ar para a base dos pulmões, movendo, naturalmente, o abdômen para fora e, ao expirar, para dentro. Ao mantermos a postura correta, automaticamente a respiração vai se tranqüilizando e a mente fica calma.

O mais indicado é escolher um horário em que esteja mais descansado e começar aos poucos, por mais ou menos uns 15 minutos diários, programando o despertador para marcar o final da meditação.

Quanto à alimentação não há nenhuma restrição, mas é bom evitar comidas pesadas.

Existem inúmeras formas de se praticar a meditação, o segredo é concentrar-se na técnica que estiver fazendo, a que você mais se identifique, e se beneficiar da profunda calmaria e paz que ela propicia.

Elaine L. Teles – Consultora de Comunicação e Marketing, Mestre em Reiki, praticante e estudiosa de Meditação, responsável pelo Espaço Luz e Vida.

Da redação com assessoria

Foto: Ilustrativa

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O AUTISTA, O PAI E A ESCURIDÃO DA DISGRAFIA

O AUTISTA, O PAI E A ESCURIDÃO DA DISGRAFIA
silvania mendonça almeida margarida
bhz, 11 de fevereiro de 2012.



O autista não consegue
escrever disse seu pai
Se ele soubesse,
talvez pudesse
se comunicar conosco
Escreveria, mesmo sem
falar frases completas
Usaria lápis e giz de cera
em todos os seus dias de sol...



O meu filho autista
não consegue escrever,
entabulou seu pai
Seria tão diferente
se ele pudesse ter sua letra
Fico a imaginar e até a sonhar
Como seria interessante
se sua escrita fosse constante


Escreveria pequenos poemas
de pais e mães
Colocaria cores em suas
gravuras e rabiscos
Mediria as margens do caderno e
faria matrículas em
todas as escolas
que se negam em acreditar
do que ele seja capaz

O pai proclamou:
Como seria bom
Se ele soubesse
escrever emoções
Diria ao vento que
tudo está frio
E que ele deixasse
quieto o papel
Diria aos acasos
que fossem cadentes
E os pintaria de cores
amarelas luminosas


O pai do autista afirmou:
Desenharia gravatas
e ternos em dias executivos
Remodelaria
os desenhos antigos
E faria novos gols
em todas as traves do campo verde
Verificaria se o time venceu
E escreveria: "Campeão"
nos seus cadernos de aula

E o pai do autista declarou mais:
Saberia pintar as paisagens do mundo
Colocaria para as gentes o seu pensamento
E saberíamos que ele sabe de tudo
o que se passa ao seu redor
Tudo o que quer saber e finge não temer
Ele é inteligente entre dois mundos
Ele é meigo entre dois espaços
Ele é autista entre o lápis e o papel


E o pai findou sua conversa:
Como seria bom se ele escrevesse
Uma palavra, uma frase, uma letra,
E fosse copilando as suas estrelas
Que mostrasse ao mundo
a sua passagem
Pelas estações do ano...

“Aprender com as primaveras
A deixar-se cortar e voltar
Sempre inteiro”
E escrever ao pai em letras garrafais:
"conseguiram me alfabetizar e
me mostrar como se escreve “grande”"
"Amo você, amo você para sempre, meu pai!"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

COMPENSA LER

Autista no Além

:: Wilson Francisco ::
O autista é um ser que, por razões internas ou externas não "entrou" no mundo físico.

- Razões internas: são as da essência ou do Espírito: antes de entrar ou conectar-se com o corpo, decide desistir, tem medo, sente-se incompetente para a experiência.

- Razões externas: são as dificuldades no parto, por parte da mãe ou em face de situações pós-parto, como excesso de luminosidade, fórceps, demora ou pelo ambiente inadequado. Enfim há vários fatores que podem levar o nascituro à "recolher-se".

Hellen Wambach, autora do livro Vida Além da Vida, realizou várias experiências com adultos, regredindo-os à vida intra-uterina e constam nos relatórios dos pacientes, a percepção e sensações conseqüentes de que a essência espiritual, antes do nascimento, permanece agregada ou próxima do corpo em gestação, observando e sentindo os efeitos físicos e emocionais tanto da mãe como das pessoas que ali se encontram.

Estas impressões são marcantes e podem ficar em nossa memória por toda a existência, podendo também ser a causa de processos de autismo.

Vejamos as experiências da Dra. Hellen. Nessas, pelo que se vê, o ser/essência nada sofreu, encarando com naturalidade e compreendendo todos processos, mesmo os mais dolorosos.

1º caso - Minha mãe não me desejava. Certa vez tentou abortar e fiquei irado por ocasião do parto, porque ela pretendia divorciar-se do meu pai. Estou agora conscientizado de que parte do meu carma consiste em aprender a amar minha mãe, de qualquer maneira.

2º caso - Ao me ligar ao feto, dava-me conta de que minha mãe estava assustada, de início, posteriormente aceitou o processo com naturalidade.

3º caso - Foi uma experiência forte, não desagradável mas surpreendente, o meu nascimento. Enviei mensagens à minha mãe para que ela encarasse tudo como sensação e não como dor. Percebia, de forma clara, as atitudes das outras pessoas. Eu estava muito feliz por assumir esta vida.

A partir da leitura desse livro e de algumas experiências realizadas em grupos holísticos e espíritas eu introduzi em algumas vivências o exercício de retorno ao útero. Muitas marcas em nosso corpo e alma tem origem no momento da concepção. Este período, o da gravidez e do parto são fundamentais para a saúde física e mental da criança.

Pesquisadores realizaram o protótipo de um laboratório que simbolizava um útero e colocaram autistas, neste ambiente. Ali, eles tinham contato com sons e sensações semelhantes àquelas transmitidas pela mãe para o bebê quando este se encontra dentro do útero, mergulhado no líquido amniótico. A experiência foi de completo êxito, pois as crianças autistas apresentaram reações, tornando-se um pouco mais receptivas.

Realizei experiências semelhantes com um grupo de pessoas sensitivas e outras habilitadas criando através de uma ação mental um útero materno. A resposta da criança autista foi positiva. Envolvido nesse processo, Nick um garotinho autista de 7 anos conseguiu um nível de comunicação satisfatório com o grupo e com o seu avô, que participava da experiência.

De tudo que já li até hoje, o livro Autismo, do prof. Hermínio Miranda é o mais completo. Foi, aliás, a partir da leitura dessa obra que eu fiquei ainda mais interessando no assunto.

Ano passado, pesquisando assuntos para o Curso de Interpretação e Aplicação de Espiritismo que organizei, li o livro Autistas do Além, psicografado por Nelson Moraes, autoria espiritual de Eduardo, narrando o caso de Raul. É interessante e passo para vocês um resumo.

Raul deixara o corpo e aprisionara-se num processo obsessivo com a própria mãe. Espíritos Superiores convocados para cuidar do caso elaboraram um relatório onde informavam que a mãe, Elizete, zelara com excesso pelo filho e este vivera em seu tempo terreno num regime de dependência que lhe enfraquecera o caráter. A tibiez e a falta de vontade predominavam no temperamento do moço.

Em razão disso, na outra dimensão registrava com freqüência e nitidez o desespero da mãe aqui na Terra.

Um dia, vigilantes espirituais não puderam mais conte-lo e ele se evadiu de onde estava para se projetar no mundo físico, agarrando-se, como um menino medroso, à mãe.

Assemelhava-se a uma sombra irradiando ondas mentais e emocionais densas sobre o córtex cerebral da mulher, estabelecendo verdadeira e estranha simbiose.

Naquela situação a intervenção para separar um do outro era perigosa. Afinal, ambos se davam às mãos, espiritualmente, num consórcio energético intenso e dramático.

Espíritos coordenadores vão ao encontro de Elza, sua namorada, quando ainda habitava o mundo físico. Ela se comprometera, durante o sono físico, a ajudar o ex-namorado.

Assessorada, vai ao encontro dele e com o coração nas palavras fala com Raul. Ele estremece, parece ouvi-la, os laços afrouxam. O moço estava prestes a se desligar da mãe. No entanto, esta pressente a situação e com medo de perder o filho querido, agita-se e acorda.

Acordada, Elizete ainda sente o perigo e sabe que pode perdê-lo. Uma onda de pensamentos doentios a invade. É melhor morrer a perder o filho. A iminência de um suicídio põe em sobressalto toda equipe socorrista.

Alteram a estratégia e recorrem a Julia, empregada doméstica de Elizete e que era médium, atuando em um Centro Espírita próximo. Convocada, a mulher aceita o serviço de apoio. Sintonizada vai até a patroa convidando-a a fazer uma oração e a ir ao Centro Espírita. Nada consegue. A mulher não recebe com interesse o apelo da serviçal.

Arquitetam outro plano, novo e audacioso. Adoecer Elisa, a filhinha de Elisete, irmã de Raul. Com a filhinha doente ela se sente culpada por abandonar a menina. Inconscientemente, abre mão do apego ao filho desencarnado e esquece a idéia de suicídio.

Florinda, médium experiente do Centro Espírita, convidada pela empregada vai visitar Elizete e nesse encontro a Equipe Espiritual consegue realizar o desligamento de Raul livrando-o da mãe.

Desligado e sem uma condição satisfatória Raul entra num processo de Autismo, ausentando-se de tudo e de todos. Neste estado é levado a sessão mediúnica para receber auxilio. O universo de energias de amor que ele encontra no momento mediúnico acalenta-o. Sente-se reconfortado, revigorado.

Sintonizado com a médium, Raul vê a ex-namorada oferecendo um universo de carinho e compreensão que restaura suas forças e faz com que ele "volte" à vida.

Com o sucesso do empreendimento os Espíritos Coordenadores encaminham Raul para uma estância localizada na dimensão extrafísica, acompanhado de Elza, a ex-namorada e abnegada servidora.

O que posso dizer, disso tudo, é que a principal causa do autismo seja ele aqui na Terra ou na dimensão espiritual pode ser o desarranjo no sentir, no querer e no doar-se.

Na verdade, o amor é uma força que todos possuímos. Apenas não temos aprendido a aplicá-la. Encontramo-la desequilibrada nas paixões, perturbada no ciúme, transfigurada no ódio, controvertida no egoísmo e sublimada nos anjos.

Como exercício, ofereço para vocês este, que significa um verdadeiro recomeço para que o estágio terreno seja um tempo de paz e alegria em seu coração.

ÚTERO MATERNO - O recomeço

Respire e Inspire. Sinta-se envolvido por uma luz branca, fresquinha que te envolve e conforta. Inspire mais uma vez, iluminando-se internamente.

Visualize sua mãe. Olhe-a com ternura e gratidão. Pense na beleza da vida. Está aí na sua frente a criatura que você escolheu para lhe dar a vida.

Tenha coragem e inteligência para perdoar mágoas e amar intensamente esta criatura divina. Sinta esta energia que te envolve. Deus está presente.

Agora, sinta-se diminuir. Você é um ponto de luz. Sinta-se abraçado, envolvido no corpo de sua mãe.

Mergulhe no útero de sua mãe. É o seu renascimento.

Você está envolvido por uma água aquecida. Há sons em torno de você.

Ouça o bater do coração, o sangue circulando ao seu lado. Você está nascendo. Sinta-se crescer. Os braços, as pernas, a cabeça.

Surge um canal à sua frente. Uma força. Um sopro movimenta seu corpo e você vai para este canal.

Atravessando o canal, surge um campo de flores. Sinta o perfume das flores, o cantar dos pássaros.

Abra os olhos. Você renasceu. Diga: Obrigado, Senhor. Pela vida e pelo corpo. Obrigado, mãe.



http://www.stum.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=2199



Wilson Francisco é Terapeuta Holístico, escritor e médium espírita. Desenvolve o Projeto Mutação, um processo em que faz a leitura da alma da criatura e investigação do seu Universo, para facilitar projetos, sonhos e decisões, descobrindo bloqueios, deformidades e medos que são reprogramados energeticamente. Participe do Projeto Mutação confira seus artigos anteriores